Independentemente da classe social, todos buscam qualidade quando adquirem produtos e serviços. Isso não é diferente na compra da casa própria. O grande desafio está em aliar qualidade e preço compatível ao perfil do público consumidor. Esse desafio tem feito com que as construtoras busquem soluções para atender a demanda de um público cada vez mais exigente: a classe média, grupo social que mais cresceu nos últimos anos.
O déficit habitacional de 90% que atinge a classe C, segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil de Brasília, faz com que as construtoras apostem em imóveis com preços mais baixos para atender as necessidades desse público. Muitas empresas, inclusive, comercializam imóveis dentro do programa Minha casa, minha vida, do governo federal. Essas ações facilitam ainda mais a aquisição da casa própria para famílias com renda entre R$ 1.635 e R$ 5.450.
O diretor de marketing e vendas da MRV Engenharia, Rodrigo Resende, confirma que, nos últimos 10 anos, a classe média ficou mais exigente. "E estou falando tanto de qualidade em termos de materiais de acabamento utilizados nos imóveis quanto, por exemplo, de opções de itens nas áreas de uso comum."
Desde 1979, quando a MRV começou suas atividades, Rodrigo Resende observa as mudanças nos interesses do consumidor. "Nos anos de 1980, vagas de garagem não eram uma exigência desse público. Hoje, eles não compram um imóvel sem esse requisito. Acho que é um reflexo do aumento do poder de compra e também do maior acesso à informação."
O arquiteto Maurício Miranda reconhece que, hoje, os consumidores que fazem parte desse segmento contam com maior poder aquisitivo e acrescenta que eles têm também maior acesso à educação. "Por consequência, são melhor instruídos, fazendo com que seu nível de discernimento, exigência e cobrança seja mais elevado."
Mas as exigências não aumentaram somente por parte da classe média. Segundo Rodrigo Resen de, "a Caixa Econômica Federal, por exemplo, exige a certificação das empresas no nível A doPrograma Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Hábitat (PBQPH), para que as empresas vendam imóveis pelo programa Minha casa, minha vida", cita Rodrigo Resende.
Para o diretor da Casa Mais, Peterson Querino, assim como o poder de compra da classe C mudou completamente nos últimos 10 anos, a percepção de produto atualmente é outra. "Hoje, não conta apenas que o produto tenha preço e caiba no bolso do consumidor. A qualidade é um dos fatores predominantes na escolha do imóvel."
A médica Karyne Silva Peixoto e o corretor Juverson Mendes de Oliveira buscaram essa qualidade ao adquirir um apartamento no Bairro Pompéia, na Região Leste de Belo Horizonte. Além do preço e da localização, o acabamento em porcelanato foi um dos itens que fizeram toda a diferença na escolha do imóvel. "Ter azulejos na cozinha e área de serviço até o teto foi outro fator decisivo", cita o casal.
Por Júnia Leticia / Estado de Minas
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