Depois de ajudar a fomentar o setor de construção civil, a nova classe média começa a gastar um bom dinheiro para mobiliar a casa própria e, consequentemente, elevar os índices de vendas da indústria e do varejo de móveis a percentuais bem acima do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) previsto para este ano. Enquanto analistas consultados pelo Banco Central (BC) acreditam que o PIB nacional vai subir "apenas" 1,75% em 2012, conforme a edição do relatório Focus, a indústria de móveis e artefatos de madeira de Minas Gerais acredita em alta de 4,5% a 5%. Por sua vez, o varejo prevê índice de 10%.
Para reforçar o impulso esperado por esses dois segmentos, o governo federal publicou nesta segunda um decreto zerando a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de painéis de madeira, laminados de alta resistência e PVC, usados na fabricação de móveis. Esses produtos tinham alíquotas de 5% a 15%. O corte vai vigorar até 30 de setembro. A expectativa é deque as diferenças sejam repassadas aos consumidores, impulsionando ainda mais o desejo da nova classe média de mobiliar ou trocar os móveis. Estudo do Instituto Data Popular revela que os gastos com mobília devem fechar o ano com cifra de R$ 44 bilhões.
Desse total, R$ 21,7 bilhões devem ser bancados pela nova classe média - a cifra representa um aumento de 11,9% em relação ao volume de 2011. O percentual fica mais relevante quando o estudo informa que os consumidores de alta renda (classes A e B) devem comprar 2,1% a menos do que o ano anterior, totalizando R$ 13,8 bilhões. Ainda segundo a pesquisa, a cada R$ 100 gastos com móveis no Brasil, R$ 46,5 são da classe C e R$ 19,9 da D.
"As classes C e D estão mais ascendentes. Estamos criando produtos e maneiras (para atendê-los melhor). Os apartamentos do programa Minha casa, minha vida, por exemplo, exigem outros tipos de designer. Depois de fecharmos o primeiro semestre do ano com retração, devemos encerrar 2012 com aumento de 4,5% a 5%", comemora, aliviado, Carlos Alberto Homem, presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário e Artefatos de Madeira (Sindmov-MG).
Crédito
O empresário José Oscar Pinto, vice-presidente da Associação dos Lojistas e representantes de Móveis de Minas Gerais (Alormov-MG), também destaca os benefícios conquistados pelo setor com o aumento do poder aquisitivo das famílias brasileiras. Mas ele ainda atribui o aumento esperado nas vendas ao recuo da taxa de juro e outras políticas para incentivo do consumo, como a redução de impostos.
"Quando o poder público diminui o custo do móvel, o consumidor é beneficiado", reforça José, cujo setor, acredita ele, deve encerrar o ano com 10% de aumento em relação a 2011. A queda no imposto não se resume ao IPI: as instituições financeiras também vêm diminuindo as alíquotas dos empréstimos, estratégia forçada pela queda nos juros praticadas pelo Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal (CEF). Essa última, por exemplo, reviu para baixo as taxas para o Construcard, a linha de crédito para financiamento tanto de materiais de construção quanto de móveis.
No fim de julho, a taxa mínima da Construcard passou de 1,96% ao mês para 1,40% mensais. Já a máxima baixou de 2,35% para 1,85%. Além disso, o prazo de pagamento foi estendido de 60 meses para até 96 meses. A linha de financiamento é aceita em grandes redes, como a Lider, e, segundo a Caixa, é usada principalmente na compra de móveis planejados.
O banco não tem o balanço detalhado de qual a cifra foi emprestada para a compra de móveis, mas informou que o total de empréstimos da Construcard foi de R$ 15 bilhões nos últimos cinco anos, beneficiando 1,2 milhão de famílias no país.
Por Paulo Henrique Lobato - Do Estado de Minas
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