Dado do Secovi-SP (Sindicado da Habitação de São Paulo) mostra que os
brasileiros compram, em média, apenas dois imóveis durante a vida. O número
baixo deixa clara a importância de uma escolha cautelosa, diligente, e paciente
antes de assinar o cheque para a compra de uma residência. João Crestana,
presidente do Secovi-SP, sugere que a potenciais compradores que prestem
atenção nas cláusulas contratuais e nas condições de pagamento e financiamento.
Antes de assinar o contrato, também é necessário visitar o local várias vezes,
de dia e de noite. Confira abaixo 10 dicas do presidente do Secovi-SP que podem
ajudar o consumidor a fazer uma ótima escolha de imóvel:
1 – Organize-se
Definir o quanto será gasto na aquisição é um bom primeiro passo,
levando sempre em conta a relação entre o que de fato cabe no bolso e as
necessidades da família.
2 – Defina que tipo de imóvel procura
Usado? Novo? Na planta? É importante responder algumas perguntas e
anotar as especificações do tipo de imóvel que está procurando. É casa ou
apartamento? Em qual bairro? Um apartamento de frente, de fundos ou de lado?
Quantas garagens são necessárias para o conforto dos futuros proprietários?
Varanda é necessária? Com ou sem área de lazer? Crestana alerta também quem dá
preferência aos condomínios. Não se pode deixar de levar em conta despesas
referentes ao rateio das contas coletivas.
3 – Estabeleça como será feito o pagamento
Analise qual será a melhor opção de financiamento junto a um banco ou
parcelamento realizado diretamente com a construtora durante a realização da
obra. É bom estipular se o FGTS será usado na quitação de parte do valor. Quem
tiver na conta uma boa reserva financeira ou bens que podem ser revertidos em
capital para a compra do imóvel devem colocar tudo na ponta do lápis e assim
definir qual a melhor maneira de quitar a aquisição.
4 - Observe a região do imóvel
Quem já conta com uma lista de bairros ou imóveis interessantes deve
calçar o tênis e ir visitar a região, tanto de dia quanto de noite. Verifique
se o imóvel é barulhento, quais os empreendimentos e serviços disponíveis nos
arredores e a infraestrutura do bairro em questão. Outra dica do Secovi é
extrapolar um pouco os limites da região e visitar bairros vizinhos. A internet
também pode ser uma boa arma na hora da pesquisa: procure referências da
imobiliária, construtora ou incorporadora, vale também pesquisar a reputação
dos bairros escolhidos.
5 – Compra de imóvel usado
Neste caso o ideal é listar quais as características procuradas num
imóvel. Dê preferência para profissionais que de fato conheçam o local e
procure sanar dúvidas acerca do imóvel e a região na qual se encontra. Uma
sugestão interessante é não procurar um grande número de imobiliárias e
profissionais, evite imóveis que sejam ofertados por um grande número de
corretoras. Dê preferência para a exclusividade do serviço.
6 – Estipulando a Comissão
Quando se compra um imóvel novo, o valor da comissão do responsável pela
compra é cobrado separadamente. Mas, no caso dos usados, a comissão é para por
quem vende o bem. Contudo, cabe a quem compra acertar o pagamento do que é
proporcional ao valor do imóvel. Por este motivo, Crestana aconselha que as
emoções sejam deixadas de lado e que o corretor negocie o que será pago por
ambas as partes.
7 – Arquitetando a proposta
Na hora de desenhar uma oferta, seja justo e coloque-se no lugar do
vendedor. Não faça propostas abusivas, com descontos elevados. Caso o corretor
ceda e aceite um valor incoerente, desconfie. Verifique o que está incluso no
montante e o que não está. Pontue o que estiver disposto no contrato e que não
esteja esclarecido o suficiente. Exija respostas objetivas e claras. E muito
cuidado com o documento do imóvel. Peça para um advogado conferir a idoneidade
de todos os documentos envolvidos na negociação.
8 – Saiba com quem está fazendo negócio
Pesquise e informe-se acerca do histórico e reputação da imobiliária,
construtora ou incorporadora com a qual está negociando a aquisição de um
imóvel. Se conseguir visitar um empreendimento já entregue por ela, melhor
ainda. Peça cópia do registro da incorporação ao corretor antes de assinar
qualquer contrato. De acordo com Crestana, é bom consultar a Lei 4.591/64
(Condomínios e Incorporações) e caso reste alguma dúvida, peça para que um advogado
avalie toda a documentação. Acompanhe a obra em todos os seus estágios, fazendo
visitas periódicas. Algumas empresas oferecem, inclusive, serviços de
acompanhamento pela internet.
9 – Cuidado com as parcelas
Valores das prestações pagas durante a construção de um imóvel podem
diferir do valor das parcelas do financiamento do saldo devedor. Segundo o
Secovi, até a entrega das chaves, o saldo devedor é corrigido mensalmente pelo
índice Nacional de Custo de Construção (INCC) ou do Custo Unitário Básico da
Construção Civil (CUB). Depois da entrega, é possível quitar a dívida, usar o
FGTS para a amortização de parte do valor, caso seja o primeiro imóvel, e
financiar o que resta com a ajuda de um banco. Mas atenção: é fundamental que a
parcela , independente de fixa ou reajustável, caiba no bolso de quem vai
comprar o imóvel.
10 – Precauções pós-compra
Depois que o financiamento estiver
liberado e a chave chegar à mão do novo proprietário, é preciso pagar o Imposto
sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) à Prefeitura local e todas as taxas de
registro cartorário. Segundo números fornecidos pelo Secovi-SP, tais taxas
correspondem a 4% do valor de compra do imóvel. Portanto, programe-se: faça uma
reserva financeira para arcar com despesas burocráticas. E nunca deixe de
registrar a escritura, mesmo que tenha comprado o imóvel sem financiamento.
Atente para o que preza o Manual do Proprietário, leia com atenção e verifique
todas as garantias e prazos legais para cada componente descrito.
Por Gabriela Ruic - www.exame.abril.com.br
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