terça-feira, 28 de agosto de 2012

Valorização muda de lugar


Valorização imobiliária em 2011

Segundo pesquisa realizada pelo site Global Property Guide, que auxilia investidores na busca de imóveis ao redor do mundo, os imóveis no Brasil tiveram uma valorização nominal de 27,82%, em 2011. Nosso país ficou atrás apenas da Índia. Veja os 10 primeiros colocados:

Agora há mais opção para comprar um imóvel na Grande Natal. Se antes o foco era morar em Ponta Negra e imediações, o alvo dos novos compradores se transferiu para as proximidades do Estádio Arena das Dunas, em Lagoa Nova, e para bairros pouco explorados anteriormente. No segundo caso, o programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, assume papel determinante. Por causa dele, bairros como a Ribeira, em Natal, começam a vivenciar uma leva de novos lançamentos. No Planalto, o metro quadrado que podia chegar a 100 reais, dez anos atrás, hoje pode ultrapassar os 600 reais. 

Segundo o professor do Departamento de Políticas Públicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Alexsandro Ferreira, com a crise de 2008 o setor imobiliário potiguar estagnou, até que os programas do governo mudaram o cenário. "O que antes era um boom localizado nas áreas de praia, como em Ponta Negra, litoral Sul e Norte, foi transferido para áreas da cidade que sempre tiveram potencial, mas que estavam esquecidas", conta. Nos lugares anteriormente concentrados, o preço do metro quadrado chegou a ultrapassar os 7 mil reais, o que, na opinião de Alexsandro Ferreira, excedia o razoável. Era o período dos altos investimentos estrangeiros, em meados de 2003. 

A mudança de endereço citada pelo pesquisador, no entanto, não se espalhou apenas por Natal. Cidades como Ceará-Mirim, Macaíba, São Gonçalo do Amarante e Extremoz também ganharam novas moradias. O Minha Casa Minha Vida, por ser um programa popular, preferiu buscar terrenos mais em conta, que não comprometessem tanto o bolso da classe média/baixa. Quanto mais distante do centro, mais barato. "O Minha Casa Minha Vida foi um dos principais responsáveis por levar a dinâmica imobiliária para fora do eixo que estava centralizado em Natal", explica o professor. Uma vez transformada a dinâmica, mudaram os preços dos imóveis, que agora são construídos em áreas consideradas, anteriormente, indesejáveis. 

A Copa de 2014 também é responsável pela mudança de foco. Com a expectativa gerada pelo megaevento, cresce o preço do metro quadrado no entorno do Arena das Dunas. Segundo estudo do Observatório das Metrópoles, do qual o professor Alexsandro participa, os preços nessa região variam de 4.000 a 5.400. O crescimento, contudo, se restringe ao quadrilátero formado por importantes avenidas da região: Nascimento de Castro, Amintas Barros, Salgado Filho e Bernardo Vieira. Saindo dessa área, as transformações não são tão significativas. "Esse novo eixo já está relacionado com a sinalização da Copa do Mundo", explica. 

Os preços dos imóveis são avaliados com base em ampla pesquisa do mercado imobiliário, dividida em duas frentes. Na primeira, o departamento acompanha de perto, pelos jornais, os novos lançamentos imobiliários. São avaliados critérios como localização, oferta e localização- bairro. 

Na outra frente, a pesquisa volta-se para a análise da informação pública, através do aprofundamento nos números de licenciamento de obras, de alvarás e do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), checados a cada seis meses. Foi através dessa pesquisa, ainda não finalizada, que os pesquisadores chegaram a esses valores. 

Apesar da assertividade dos números, eles não podem ser analisados isoladamente. A distribuição dos imóveis em Natal, por exemplo, continua gerando aglutinação e especulação imobiliária, encarecendo imóveis, em alguns casos, além do previsto para determinada região. Na periferia, a população de menor poder aquisitivo se acomoda em suas novas residências, mas a infraestrutura demora a chegar. 

E mais um alerta: a dinâmica de preços dos imóveis pode ser cruel. Quando o valor aumenta em regiões mais nobres, o acréscimo é repassado para as áreas periféricas, que se afastam cada vez mais do centro. "E isso é um problema, já que o transporte, o saneamento e a coleta de lixo não chegarão na mesma velocidade que o empreendimento. O poder público precisa ficar de olho", conta Alexsandro Ferreira.

Fonte: www.tribunadonorte.com.br

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