domingo, 26 de agosto de 2012

O mapa da verticalização


Na década de 1970 contavam-se nos dedos os apartamentos utilizados como moradia em Natal. Um prédio aqui, outro acolá, outro mais adiante e todos concentrados na área central da cidade - Centro, Petrópolis, Tirol, Barro Vermelho. Eram tempos de grandes projetos de construção de casas financiadas com recursos do Banco Nacional da Habitação, que resultaram em conjuntos como Ponta Negra, Mirassol, Candelária, Neópolis. Logo depois veio o maior deles: Cidade Satélite, na zona Sul da cidade, no limite com o município de Parnamirim, e os conjuntos da zona Norte, aproveitando amplos terrenos existentes naquela região.

E Natal continuou assim até o final da década de 1980, quando o processo de verticalização começou a se acelerar. De acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Lagoa Nova era o bairro com maior número de domicílios residenciais do tipo apartamento em 2000, quando foi realizado o censo demográfico daquele ano, superando Capim Macio, que tinha 2.677.

Entre 2000 e 2010, o número de apartamentos construídos em Natal e Parnamirim dobrou de 17.911 para 35.077. Mas este número pode ser maior porque o IBGE não registra, em seus levantamentos, o número de imóveis em construção. Em Parnamirim, que aparece no último Censo com 7.176 domicílios particulares permanentes do tipo apartamento, a Prefeitura firmou parceria com o Ministério das Cidades e implantou, em 2009, o programa Minha Casa Minha Vida. 3.728 apartamentos foram construídos, 1.800 já foram ocupados pelas famílias sorteadas e o restante está em fase de entrega.

"Em apenas um ano, entre 2010 e 2011, Parnamirim recebeu 6 mil novos moradores. É como se uma cidade do porte de Bento Fernandes ou Porto do Mangue se mudasse para cá todos os anos", compara o prefeito Maurício Marques dos Santos. De acordo com estimativas da Prefeitura, Parnamirim já ultrapassou a marca dos 11 mil apartamentos residenciais.

A opção por esse tipo de moradia passou a dominar o mercado na Grande Natal, quando os espaços para construção de conjuntos habitacionais acabaram e a violência começou a fazer parte da rotina das grandes cidades. A conjugação desses dois fatores levaram o brasileiro a abrir mão da privacidade em troca da praticidade e de mais segurança.

Pela ordem, os bairros de Natal com maior número de apartamentos são Lagoa Nova, Capim Macio, Tirol, Candelária, Ponta Negra, Neópolis, Barro Vermelho e Petrópolis. O Pitimbu, uma das poucas áreas de expansão imobiliária de Natal, foi o que mais se verticalizou. Eram vinte apartamentos em 2000 e 1.193 em 2010. Dos bairros que já eram verticais, o que mais cresceu proporcionalmente foi Ponta Negra: 113,9%.

Entre um censo e outro, o mercado de apartamentos para morar teve a seguinte evolução: no Brasil, eram 6,15 milhões, em 2010, crescimento de 43,2% em relação ao censo de 2000. No Rio Grande do Norte, este tipo de moradia cresceu 110,3%. Em Natal, o crescimento foi de 88,6% e em Parnamirim de 130,4%.

Fonte: www.tribunadonorte.com.br

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