sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Mercado imobiliário do RN caiu 4% no primeiro semestre de 2012


Não é possível fazer qualquer afirmação ou estimativa sobre mercado imobiliário no RN tomando por base informações estatísticas. É que simplesmente elas não existem. Com exceção dos dados apurados por institutos oficiais, como o IBGE, ou pesquisas encomendadas por empresas do setor, o mercado se movimenta com base no sentimento – o tal  feeling – de seus players – os construtores, incorporadores e corretores. Mas isso pode estar com os dias contados.
O Sindicato da Habitação do Rio Grande do Norte (Secovi) intensificou este ano um trabalho para atrair incorporadoras para seu seleto grupo de empresas filiadas. Com pouco mais de 30 imobiliárias em seu cadastro, mas que representam 90% dos negócios do mercado potiguar, o Secovi/RN só há pouco tempo começou a contar com a presença de incorporadores, que tradicionalmente integram seus quadros em praças importantes, como São Paulo. Isso significa, na prática, uma injeção de novas idéias para o segmento geralmente dominado por corretores de imóveis.
“Este ano estamos trabalhando dois grandes objetivos: atrair as incorporadoras para os nossos quadros e reunir condições para instalarmos mecanismos de pesquisa do mercado local, como o IVV (Índice de Velocidade de Vendas) que ainda não dispomos”, disse hoje o presidente do Secovi/RN, Jailson Dantas Lima.
Há dois anos como presidente do sindicato, Jailson admitiu que o mercado imobiliário local não deve crescer este ano mais do que quatro por cento, resultado em parte de uma freada no consumo da classe média, que certamente usará a queda dos juros para por dia as suas contas antes de iniciar um novo ciclo de consumo. E deu um número de queda em relação ao semestre anterior: 4%. “Mas, veja bem, é um sentimento meu, não pode ser levado como uma verdade, resultado de uma apuração baseada em pesquisa”, esclarece.
Acrescentou: “Os anos de 2009 e 2010 foram de crescimento tão expressivo que produzimos um estoque maior do que a capacidade do consumo em 2012″- analisou. “Mas,com a política de facilitação do crédito e de taxas de juros menores, nos padrões de países mais desenvolvidos, a tendências é de que logo vamos recuperar essa queda”, acrescentou.
Sobre a necessidade de o mercado ter indicadores seguros para planejar seus lançamentos, o presidente do Secovi/RN antecipou que nos próximos três meses “é possível termos novidades”, uma vez que o Sinduscon – entidade que representa os construtores – também persegue o objetivo de implantar um IVV no mercado.

O Índice de Velocidade de Vendas foi criado ainda no regime militar pelo construtor e incorporador Romeu Chap Chap, que durante quase cinco décadas se dedica à habitação no Brasil. O “Senhor Habitação”, como é conhecido esse ex-presidente do Secovi-SP, criou o Índice depois de ser questionado durante uma reunião pelo então Ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen.
“Vocês vem aqui me pedir coisas, mas nunca apresentam nenhum dado do setor”, teria dito Simonsen a um grupo de construtores, entre os quais Romeu Chap Chap.
Hoje, ao lembrar esse acontecimento, Jailson Dantas Lima disse que não é mais possível o mercado potiguar – especialmente o da Região Metropolitana de Natal -, que protagonizou um crescimento sem precedentes nos últimos anos, continuar desprovido de dados estatísticos atualizados que permitam orientar seu desenvolvimento.

A mesma posição é também do presidente do Sinduscon-RN, Arnaldo Gaspar Jr, que há meses tenta implantar o IVV entre as construtores, sem muito sucesso. “Estamos em contato com o Sinduscon para unir forças nessa luta”, lembrou Jailson Lima.
Com poucos associados e um caixa que não se pode dizer rico, como de suas irmãs de  São Paulo, Rio e Belo Horizonte, Jailson Dantas Lima já chegou a pensar em campanhas para aumentar o número de sócios do Sindicato no estado.
Hoje, mais conformado com a falta de interesse de boa parte das imobiliárias, ele aceita melhor a condição de representante de uma entidade pequena, mas cujos associados movimentam a parte do leão das transações de compra e venda. “Agora, só nos falta uma presença maior de incorporadoras para dizer que estamos completos”, explica.
Por: Marcelo Hollanda - www.jornaldehoje.com.br

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